Como usar crowdfunding como ferramenta de marketing

O caso da hamburgueria Zebeleo, cujo principal expoente foi a guru do empreendedorismo Bel Pesce, colocou na berlinda a estratégia do crowdfunding. Também conhecido como “vaquinha online”, o crowdfunding surgiu como ferramenta de financiamento de projetos sociais, mas passou a ser usada também para captação de recurso para empreendedores e projetos de inovação. E mais, também passou a ser uma ferramenta de divulgação dos projetos.

Isso explica a opção da Bel Pesce e seus sócios pelo crowdfunding. Ligada nas tendências mais avançadas dos empreendedores digitais, Bel apelou a estratégia de forma acrítica, sem avaliar corretamente os riscos. Seus parceiros entraram igualmente na onda, provavelmente porque confiaram nos conhecimentos de marketing digital da sócia. Aí aconteceu o que dizia Warren Buffet: “Quando o CEO tem uma ideia estúpida, todos os diretores geram relatórios apoiando a iniciativa”.

Baseados nesta curiosa experiência do Zebeleo, reunimos aqui algumas dicas sobre como o crowdfunding pode ser uma boa ferramenta de marketing.

1. Pergunte por qual razão seu público doaria dinheiro

Uma pesquisa realizada pelo consultor de marketing Marcelo Vitorino mostrou que, na política, a maioria dos eleitores não faria doações para seu candidato por achar que ele não precisa. Foi exatamente a mesma reação do público sobre os sócios da Zebeleo. Faltou entender qual a melhor forma de dizer “porque diabos eu preciso do seu dinheiro”.

Por exemplo, uma pesquisa realizada pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social mostrou que o brasileiro prefere doar para projetos direcionados a crianças e idosos, e focados em saúde e educação. E metade dos entrevistados disse que doa por se solidarizar com os mais necessitados.

Isto é um tremendo insight. Ou seja, ao pedir dinheiro no crowdfunding, mostre que seu projeto realmente precisa daquele recurso, e que ele vai ter um impacto real na vida de pessoas realmente necessitadas. Se seu projeto não tem um impacto social claro, esqueça, procure outros meios

2. Calibre bem a recompensa

Um atrativo comum em projetos de crowdfunding é oferecer algum brinde em troca. Pense bem nele, é um aspecto fundamental da campanha. É importante que seja algo de valor. Mas veja: não é algo caro – a conta do crowdfunding precisa fechar. É algo de valor – uma experiência que enriqueça a vida do doador.

Se a Comm Cloud pedir dinheiro em troca de fotos do seu CEO pelado tomando banho, por exemplo, teremos um desastre tão grande quanto a campanha da Bel Pesce.

3. Planeje a campanha para ganhar

Estabelecer uma meta inalcançável pode afetar a moral do doador. Ao doar, ele passa a fazer parte do projeto, torce por ele. Se a campanha fracassa, parece que tudo deu errado. Mas às vezes a razão do fracasso está na meta além da possibilidade.

Por isso, estabeleça uma meta baixa. Atingível. Assim, ao invés de responder que a campanha não atingiu o resultado esperado, você dirá que a arrecadação subiu as expectativas. Ou, em dilmês, que você atingiu a meta e ainda dobrou a meta.

4. Não basta criar a vaquinha

É preciso que o mundo saiba que a vaquinha existe. Por isso, crowdfunding sem estratégia de marketing digital para divulgá-lo não agrega nada. Poucos ficam olhando o site do Kickante atrás de campanhas novas. A maioria é laçada nas redes sociais por meio de call to actions efetivos. Do contrário, o fracasso é certo.