O que as suspensões do WhatsApp podem nos ensinar sobre comunicação

Pela terceira vez, um juiz de primeira instância tira o WhatsApp do ar em todo o país, sob o mesmo argumento: a empresa, uma gigante imperialista norte-americana, se recusou a compartilhar informações protegidas por criptografia com a justiça brasileira. Na imprensa brasileira, a crise traz à tona o velho debate sobre como adequar negócios novos e disruptivos a uma legislação pré-internet. E mostra o abismo de comunicação existente entre essas duas esferas.

O problema não é só do WhatsApp. Os aplicativos de compartilhamento de veículos, Uber à frente, ralaram para explicar que não eram nem nunca serão táxis. Quando foi criada a primeira TV por streaming no Brasil, muito antes do Netflix, as TVs abertas questionaram porque a novidade atuava sem concessão do Ministério das Comunicações. E mesmo o Google recentemente foi questionado pelo então ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, sobre faturamento de publicidade no exterior.

O que fazer?

Se, por um lado, a internet esta transformando de forma acelerada a nossa vida pessoal e profissional, por outro lado é consenso entre os consultores que instituições públicas são o setor mais resistente a mudanças. Por isso, há entre negócios disruptivos e instituições de estado um grande abismo, que só pode ser transposto por meio de uma adequada estratégia de comunicação.

Já dizia o filósofo Habermas que a comunicação só é possível por meio do que existe em comum entre dois agentes comunicadores. Logo, se há um abismo, a comunicação será prejudicada, a não ser que um dos lados se esforce por se aproximar do outro. A justiça não entende as especificidades técnicas do WhatsApp – e a julgar por esta reportagem da Folha de S. Paulo nem os jornalistas especializados no tema. Por isso, cabe ao outro lado ser didático, e demonstrar que é possível apoiar as investigações sem alterar o modelo de negócio. Isto é, se houver vontade de se posicionar assim.

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